
O retorno do Remo à Série A após anos não mexe apenas com a torcida azulina, ele reacende um fenômeno cultural profundamente enraizado no futebol paraense: o torcedor de clubes de outras regiões do país. Desde os anos 80, quando a televisão expandiu o alcance dos grandes clubes do Rio e de São Paulo, tornou-se comum que paraenses adotassem um time local e outro de fora. Essa prática, muitas vezes alvo de piadas e julgamentos, ganhou mais visibilidade agora que o Mangueirão receberá Flamengo, Corinthians, Palmeiras, Vasco, Botafogo e outras potências do país em 2022.
A figura do torcedor que acompanha um clube local e outro de fora do estado é resultado de um contexto histórico marcado pela força midiática dos times do Sudeste, pela influência familiar e, sobretudo, pela longa ausência de Remo e Paysandu na elite, o que fez muitos paraenses crescerem vendo seus ídolos e referências em outras camisas. Esses torcedores, porém, ainda enfrentam preconceitos, sendo chamados de “menos paraenses” ou acusados de não terem identidade própria no futebol, quando, na verdade, representam a pluralidade do Brasil e a maneira como o esporte atravessa gerações.
Com o acesso do Remo à Série A, abre-se uma oportunidade inédita: conquistar esse público nas arquibancadas em jogos que não envolvam o clube nacional que eles torcem, fortalecendo o vínculo afetivo com o time da terra e transformando o Mangueirão em ponto de encontro dessas múltiplas formas de torcer. Com o Remo novamente na elite, as identidades futebolísticas da região entram em ebulição. Para muitos, será a primeira vez que seu time do coração ou um de seus times enfrentará de perto grandes equipes do país.
Fonte: dol.com.br
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