
A Força Aérea Brasileira (FAB) anunciou nesta segunda-feira, 20, a conclusão da investigação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) sobre o acidente aéreo da Voepass, que resultou na morte de 62 pessoas em Vinhedo, São Paulo, em agosto de 2024. O relatório final será apresentado em uma coletiva de imprensa agendada para quinta-feira, 23, às 17h, em Brasília. O chefe do Cenipa, brigadeiro do ar Alexandre Avellar Leal, e a equipe de investigadores estarão presentes para esclarecer a apuração.
Embora o relatório do Cenipa não tenha o objetivo de definir responsabilidades legais, um inquérito paralelo conduzido pela Polícia Federal está em fase de conclusão. Um relatório parcial, divulgado pela Folha de S.Paulo e confirmado pelo Estadão, indicou que a queda da aeronave foi resultado de uma série de falhas, que envolveram tanto os pilotos quanto a companhia e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
O documento preliminar destacou que a Voepass ignorou falhas de segurança e apresentava um ambiente organizacional que tolerava desvios, desconsiderando alertas sobre problemas no sistema de degelo da aeronave, já identificados em voos anteriores. Além disso, a investigação apontou que os pilotos estavam distraídos durante o voo, marcado por conversas informais em momentos críticos, o que elevou os riscos da operação.
Em relação à Anac, o relatório observou que a agência não tomou decisões que poderiam ter reduzido os riscos, mesmo após fiscalizações que revelaram a falta de padrões técnicos na manutenção das aeronaves da Voepass. Tanto a Anac quanto a Voepass não se pronunciaram sobre as conclusões parciais, mas a companhia afirmou que está colaborando com as autoridades de maneira transparente. A Anac, por sua vez, afirmou que não teve acesso ao documento e aguardará o relatório final para se manifestar.
No dia do acidente, o avião ATR-72-500 da Voepass caiu em Vinhedo, resultando na morte de todos os quatro tripulantes e 58 passageiros. A aeronave despencou de 13 mil pés em dois minutos, atingindo um condomínio residencial. O piloto, Danilo Santos Romano, havia mencionado uma falha no sistema de degelo, informação que foi revelada em um relatório preliminar apresentado em setembro. Alertas de baixa velocidade de cruzeiro e performance degradada também foram registrados antes da queda, indicando condições adversas que comprometeram a sustentação do voo.
Fonte: oliberal.com
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