
Adolescentes diagnosticados com transtorno bipolar enfrentam desafios específicos na adesão ao tratamento, muitas vezes por não reconhecerem a própria condição e abandonarem o acompanhamento médico. O alerta foi feito pela psiquiatra infantil Sheila Caetano, professora da Unifesp, durante o programa CNN Sinais Vitais. Caetano explicou que o estigma e o preconceito são barreiras significativas para o tratamento de jovens com transtorno bipolar. Na adolescência, existe essa ideia de que se tomar uma medicação psiquiátrica vai viciar, quando na verdade, na adolescência, a gente precisa sim dar os estabilizadores de humor para evitar que tenha outros episódios, afirmou a especialista.
Segundo Caetano, quanto mais episódios de desestabilização ocorrem, maiores são os prejuízos e o agravamento da doença. A abordagem recomendada pelos especialistas envolve toda a família no processo de tratamento, evitando culpabilizar o adolescente pela condição. É importante não colocar a pessoa como culpada de todas as desgraças do mundo, da família e da sua vida, porque está doente, destacou. O psiquiatra Beny Lafer, professor da Faculdade de Medicina da USP e coordenador do Programa de Transtorno Bipolar do HCFMUSP, alertou sobre os perigos de interromper o tratamento por conta própria.
Os estudos mostram que se você, por exemplo, está tomando lítio e está estável há anos e para abruptamente o lítio, a chance de você ter uma hospitalização por mania em meses, explicou Lafer. Ele ressaltou que mesmo com efeitos colaterais, é fundamental que o paciente procure o médico para ajustes na medicação, em vez de abandonar o tratamento, pois isso pode piorar significativamente o curso da doença. Apesar dos desafios, os especialistas foram enfáticos ao afirmar que pessoas com transtorno bipolar podem.
Fonte: cnnbrasil.com.br
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