
A negociação que está levando Pedro Henrique ao Flamengo não é apenas a maior venda da história recente do Paysandu. Ela também funciona como um alerta para o futebol paraense. O volante de 20 anos sai mediante pagamento integral da multa rescisória. O clube recebe R$ milhões à vista, mas não mantém qualquer percentual sobre uma futura transferência. O ativo deixa de existir no patrimônio esportivo.
Esse é o primeiro ponto de reflexão: base e não gasto, investimento estruturado. Durante anos, tanto Paysandu quanto Clube do Remo trataram as categorias inferiores como setor secundário. Estrutura limitada, pouca integração com o profissional e planejamento irregular marcaram gerações. O resultado foi previsível: poucos ativos consolidados e dependência constante do mercado. Pedro Henrique mostra o contrário. Quando há sequência, oportunidade e exposição, o mercado responde. Proteção patrimonial, obrigação no detalhe.
- Trabalhar multas progressivas e compatíveis com o potencial do atleta
- Manter percentual mínimo em futuras vendas
- Negociar bônus por metas e valorização
- Integrar base e profissional com planejamento financeiro
Ao aceitar a multa cheia por 100% dos direitos, o clube resolve o caixa imediato, mas abdica de receitas futuras. Em um cenário de valorização, poderia manter uma cláusula de mais-valia. Se o atleta for negociado internacionalmente por cifras maiores, o Paysandu só terá direito ao mecanismo de solidariedade da FIFA, percentual limitado e proporcional ao período de formação. Em um cenário ideal, clubes precisam.
Fonte: dol.com.br
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