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Feiras de Belém acumulam sujeira, insatisfação e promessas de reformas

A situação pode ser vista tanto no centro da cidade, no Complexo do Ver-o-Peso, assim como nas periferias do município, tal como a Feira do Jurunas


Um dos principais cartões postais deBelém, o Complexo do Ver-o-Peso, localizado às margens da Baía do Guajará, está passando por vários problemas estruturais, que atingem diretamente quemtrabalha ou consome produtos no local, segundo informaram feirantes e clientes à reportagem de O LIBERAL na última quarta-feira (30). As complicações, que também podem ser vistas nos mercados distantes do centro, envolvem rachaduras nos boxes, buracos no piso, problema do esgotamento sanitário e limpeza

A boieira Maria Modesto, 64 anos, que trabalha há quase 10 anos no local, conta que a sua banca apresentou rachaduras há cerca de um mês. Outro transtorno que preocupa a trabalhadora é o piso que está cedendo. As barracas vizinhas à dela também apresentam desníveis, assim como rachaduras em suas bancas. A feirante disse que já procurou a prefeitura para fazer a reclamação, no entanto, a situação desfavorável aos feirantes ainda não foi solucionada.

Segundo Maria Modesto, 64 anos, as barracas vizinhas à dela também apresentam desníveis e rachadurasSegundo Maria Modesto, 64 anos, as barracas vizinhas à dela também apresentam desníveis e rachaduras (Cristino Martins/O Liberal)

“Nós já reclamamos com eles [prefeitura], avisamos antes da Copa, já vieram aqui e bateram foto, olharam, mas não fizeram nada. Falamos que isso vai afundar com a gente, vai ser um prejuízo grande tanto para nós quanto para eles, Veio um assessor da Secon aqui e nada foi feito, aí o tempo vai passando, de repente a gente pode sofrer um acidente. Olha os bancos como ficam por causa do piso afundando. O balcão da minha amiga está arriando também”, contou a feirante. 

Há 11 anos, trabalhando no Ver-o-Peso, o feirante Charles Costa, 33 anos, afirma que é difícil trabalhar com o vazamento de água do esgoto que sai pelo ralo das barracas de comida. Segundo o trabalhador, o aborrecimento é diário. “O esgoto tá cheio, a água volta toda pelo ralo, deixando as nossas barracas alagadas. O caminhão chega, faz uma limpeza básica, mas as barracas continuam todas cheias”, afirmou.

Outra reclamação exposta, desta vez por uma frequentadora do Ver-o-Peso, foi a quantidade de sujeira no local e ausência de contêineres suficientes para receber os resíduos deixados por clientes e feirantes. “Aparentemente a feira está abandonada, está faltando limpeza, principalmente nessa área de refeição. Você caminha por aqui e não vê uma lixeira. Isso é muito ruim para todo mundo. Com certeza isso deve afastar os turistas daqui”, disse Carla Santos, 41 anos, moradora do bairro Parque Verde.      

Angústia dos feirantes do Jurunas

A situação dos trabalhadores da Feira do Jurunas é ainda mais delicada. Há quase dois anos, os feirantes do local foram contemplados com o espaço conhecido como “Complexo do Jurunas”, que apesar de ter sido entregue pela gestão municipal anterior, encontra-se sem uso desde então. Os feirantes disseram à reportagem que o complexo está abandonado e teria sido ocupado por pessoas em situação de rua e supostos dependentes químicos.

Léo, 48 anos, diz que a reivindicação por um lugar adequado para trabalhar é antiga. Ele trabalha em uma banca que comercializa peixe no local. O próprio trabalhador admite que ali não há como trabalhar com higiene, já que o lugar onde eles atuam é cercado por urubus. “A gente está esperando para entrar nessa obra na expectativa de que as coisas possam melhorar, mas a prefeitura diz que não dá para todo mundo porque os boxes são muito pequenos. Não deram nenhum prazo para gente entrar”, comentou.

Segundo o trabalhador, portas de enrolar do Complexo do Jurunas foram furtadas, assim como fiações elétricas e pias de inox. No local, é possível ver que alguns compensados e zinco acabaram sendo colocados para substituir as portas de enrolar. Caixas de passagem e quadros de distribuição de energia também foram arrancados das paredes. O que seria o lugar adequado para abrigar os feirantes encontra-se todo pichado e ainda serve de “banheiro” para pessoas em situação de rua. 

Esclarecimento

A Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb) informou,  por meio de Nota, nesta quarta-feira (30), que no dia 7 de novembro, o prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues, visitou a feira do Ver-o-Peso, acompanhado da equipe de secretários, para ouvir as necessidades dos comerciantes que atuam do espaço. A visita serviu para ajudar a finalizar o projeto de reforma do local, valorizando a participação popular em todas as suas fases.

“O complexo do Ver-o-Peso, receberá uma grande obra de reforma pela Prefeitura de Belém, que tornará o espaço mais moderno. Com a nova reorganização, haverá mais conforto aos feirantes, consumidores e aos milhares de visitantes que vão ao local, que é o principal cartão postal de Belém e o maior ponto de comercialização de alimentos e da cultura da cidade”, repassou a Seurb.

Quanto ao Complexo do Jurunas, a Seurb informou que  foi assinada a Ordem de Serviço (OS) para o início das obras de adequação e manutenção no dia 26 de outubro, pelo prefeito Edmilson Rodrigues.  O espaço atende a 244 trabalhadores e foi entregue pela gestão municipal anterior sem condições para servir aos permissionários, como destacado pela Secretaria. “O principal problema é que os boxes não comportam a utilização de materiais essenciais para a atuação dos feirantes de diversos setores, como confecção, açougue, refeições, descartáveis e hortifrúti, entre outros.
Com a assinatura para o início dos serviços, a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb), vai investir R$ 3 milhões na obra, que terá duração de oito meses”, finaliza  a Nota.

Fonte: O Liberal 

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