
Por que algumas pessoas se levantam animadas antes do despertador tocar enquanto outras se arrastam até o meio-dia como zumbis, sentindo que o mundo acordou cedo demais? O culpado dessa diferença é o cronotipo, uma expressão do nosso relógio biológico interno que regula desde o sono até o metabolismo e a resposta a medicamentos. Padrão-ouro para avaliar esse ritmo circadiano, o exame DLMO, sigla em inglês para início da secreção de melatonina em ambiente de baixa luminosidade, existe há décadas, mas é raramente usado fora de centros de pesquisa e clínicas especializadas em sono porque é trabalhoso, caro e demorado.
Agora, pesquisadores da Charité Universitätsmedizin Berlin, na Alemanha, desenvolveram um método capaz de determinar o cronotipo de uma pessoa, isto é, se ela é matutina, vespertina ou intermediária, sem laboratório especializado nem horas de espera. Publicado recentemente na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), o estudo apresenta o HairTime, um teste simples e não invasivo que estima a fase circadiana a partir de uma única amostra de cabelo.
Na prática, o exame funciona analisando a atividade de genes presentes nas células do folículo capilar, a raiz do fio de cabelo. Para identificar nessa assinatura genética os padrões que correspondem a diferentes fases do relógio circadiano, os pesquisadores treinaram um algoritmo de aprendizado de máquina. Em seguida, validaram o modelo comparando seus resultados com os do DLMO em um grupo independente de voluntários. A correspondência foi forte.
A aplicação do HairTime envolveu mais de quatro mil pessoas. Os dados mostraram que a distribuição dos cronotipos na população segue uma curva normal. A descoberta mais surpreendente, no entanto, foi que pessoas com emprego formal tinham…
Fonte: cnnbrasil.com.br
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